Com a chegada do calor, escorpião aparece mais — e Minas está entre os estados de maior risco do país
Calor aumenta a reprodução e a movimentação do animal; estudo do Butantan e do Ministério da Saúde aponta as áreas críticas de Minas no Norte do estado, e sacudir o sapato, vedar ralo e combater barata seguem sendo as medidas que evitam o encontro

A chegada do calor aumenta a reprodução e a movimentação dos escorpiões. Com os animais mais ativos, cresce a chance de encontrar um deles no quintal, dentro de casa ou no sapato deixado no chão — e a recomendação é redobrar o cuidado.
Um estudo do Instituto Butantan, da USP, do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde de São Paulo, publicado em outubro de 2025 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, aponta Minas Gerais, São Paulo e Bahia como os estados que concentram as áreas de maior risco de acidente com escorpião no país. O levantamento cruzou dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024.
Em Minas, essas áreas críticas se concentram no Norte do estado — Lavras fica no Sul. Ainda assim, o estado chama atenção no estudo pelo alto número de mortes.
A espécie por trás da maior parte dos acidentes é a Tityus serrulatus, o escorpião-amarelo.
Os números nacionais dão a dimensão do problema: foram 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no país entre 2012 e 2024, e a taxa de incidência saltou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes — aumento de 349%. A maioria das mortes ocorre em crianças de 0 a 9 anos.
O que fazer antes de calçar
Sacudir sapatos e botas e conferir o interior antes de calçar. Roupas que ficaram no chão ou guardadas em lugar pouco movimentado também devem ser verificadas antes do uso.
No quintal
Evitar acúmulo de entulho, madeira, telhas, folhas e lixo. Frestas e ralos devem ficar vedados sempre que possível.
Um ponto costuma ser esquecido: combater as baratas. Elas são o alimento dos escorpiões — quintal com barata é quintal que atrai escorpião.
Se encontrar um
A orientação é não tocar no animal nem tentar pegá-lo com as mãos.
Se for picado
Procurar atendimento médico o mais rápido possível. A pressa é maior quando a vítima é criança: segundo o estudo, é na faixa de 0 a 9 anos que está a maioria das mortes.
O assunto também é tema do Revista da Cidade, na Rádio Cultura de Lavras 96.5 FM.