Flamengo vota contra o corte de estrangeiros no Brasileirão e José Boto diz que liga vai ficar mais fraca
Clubes da Série A e da Série B aprovaram na segunda-feira a queda do teto de nove para cinco jogadores de fora até 2030. Rubro-negro ficou entre os três votos contrários e José Boto abriu o jogo sobre o motivo.

O Campeonato Brasileiro vai ter cada vez menos estrangeiros em campo, e o Flamengo não gostou nada disso. Em reunião na sede da CBF, na segunda-feira (21), os clubes da Série A e da Série B aprovaram a redução gradual da cota de jogadores de fora do país, uma mudança que começa a valer em 2027 e não altera nada na temporada que está em andamento.

Os números ficaram assim: hoje cada time pode relacionar nove estrangeiros por partida, teto que cai para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e chega a cinco em 2030. A conta foi puxada por um estudo da própria CBF, que apontou queda na minutagem dos atletas de até 23 anos desde que o limite de nove foi adotado, e por um número que chamou atenção: 172 estrangeiros já atuaram no Brasileirão neste ano, 15 a mais do que na temporada passada.

No mesmo pacote, os clubes aprovaram uma nova regra de inscrição. A partir de 2027, cada equipe poderá registrar 50 atletas, sendo 30 na chamada lista A, sem restrição de idade, e 20 na lista B, obrigatoriamente com menos de 23 anos. Esse piso de jovens sobe aos poucos e deve chegar a 25 nomes em 2030, com a ideia de derrubar a média de idade do futebol brasileiro, hoje perto dos 28 anos e meio.

A votação não foi unânime. Segundo o registro da reunião, Bahia, Flamengo e Londrina se posicionaram contra a proposta. Diretor de futebol do rubro-negro, o português José Boto explicou o voto em entrevista à Coluna do Fla e não fez rodeio: "Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro", disse ele, antes de completar que a restrição "vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos" e os clubes terão de escalar atletas de menos qualidade no lugar dos que forem vendidos.
Boto ainda apontou o caminho que, na avaliação dele, resolveria melhor o problema: acabar com o limite de partidas que hoje trava a transferência de um jogador entre clubes brasileiros dentro da mesma temporada. Para o dirigente, essa é uma amarra que não existe em outros países e que faz o dinheiro escapar do próprio ecossistema do futebol nacional em vez de circular entre os clubes daqui.
A discussão mexe direto com o elenco da Gávea, que tem peso grande de estrangeiros em campo, casos do uruguaio Arrascaeta, do equatoriano Gonzalo Plata, de Guillermo Varela e do chileno Erick Pulgar. Nada muda para o time em 2026, e a comissão técnica agora usa a pausa da data Fifa para trabalhar no Ninho do Urubu. O Flamengo volta a jogar pelo Brasileirão no dia 8 de outubro, quinta-feira, às 22h30, contra o Santos, fora de casa.
Fonte: Itasat