Rádio Cultura de Lavras
🔴 No ar: Revista da Cidade · Erlandson Araujo, André Rocha, Renato Corrêa, Gabriel Dinali, Frederico Mesquita e Eduardo Yoshiura 🌡️ Lavras agora: 23°C · Céu limpo · máx 29° mín 17° 💵 Dólar R$ 5,08 💶 Euro R$ 5,89 ₿ Bitcoin R$ 395.183 ☕ Café (sc 60kg) R$ 1.647,29 📰 Dia do Árbitro: de Arnaldo Cezar Coelho a Margarida, o apito que marcou o futebol 📻 96.5 FM · Lavras e região
Esporte

No Dia do Árbitro, o Brasil tem Margarida para homenagear e a Máfia do Apito para não esquecer

Celebrado em 11 de setembro, o Dia do Árbitro lembra a fundação da primeira escola de árbitros do país, em 1941, e uma história que vai do ídolo Margarida ao escândalo da Máfia do Apito.

Por André Rocha · 11/09/2026, 09:11
Direção Geral e de Jornalismo: Erlandson Araujo
Compartilhe: WhatsApp Facebook
▶ Em 1991, árbitro Margarida é destaque de jogo do Flamengo · Vídeo: Hilhotta - Futebol Antigo · o player só carrega quando você clica

O 11 de setembro é o Dia do Árbitro Esportivo no Brasil. A data foi escolhida em homenagem à fundação da primeira escola de árbitros do país, em 11 de setembro de 1941, e foi oficializada pela Lei municipal 14.485, de São Paulo, sancionada em 2007. Depois, a data se firmou no país inteiro.

É a única função em campo que não tem torcida. O árbitro entra para não ser notado e, quando é notado, quase sempre é para ouvir desaforo dos dois lados ao mesmo tempo.

Margarida apitava com o corpo inteiro, e o país parava para ver

Jorge José Emiliano dos Santos, o Margarida, nasceu no Rio em 19 de março de 1954 e aprendeu a apitar aos 13 anos, vendo jogo na areia de Copacabana. Antes de chegar ao profissional, passou anos no futebol de praia e no futebol feminino. A estreia veio em Flamengo x Volta Redonda, no Campeonato Carioca de 1988.

O que veio depois não teve igual: passos coreografados para marcar falta, gestos de dança, sorriso aberto para o jogador que vinha reclamar. O juiz virou atração. Margarida foi parar no Hebe, no Viva a Noite, no Passa ou Repassa, n'A Praça É Nossa e n'Os Trapalhões.

E teve o lado que nunca foi piada. Margarida foi um dos primeiros árbitros assumidamente gays do futebol brasileiro, numa época em que arquibancada, vestiário e imprensa não perdoavam. Aguentou tudo isso e continuou apitando do jeito dele, sem baixar a cabeça e sem largar a profissão. Morreu em 21 de janeiro de 1995, aos 40 anos.

O apelido virou herança: o árbitro Clésio Moreira dos Santos adotou o mesmo nome em homenagem a ele.

Margarida transformou o sujeito mais odiado do campo no mais querido, e não apitou um jogo a menos por isso.

Do outro lado da linha, o apito que tinha preço

Em 23 de setembro de 2005, uma reportagem do jornalista André Rizek, na revista Veja, escancarou o maior escândalo de arbitragem da história do futebol brasileiro. Segundo a reportagem, os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon recebiam para entregar resultados combinados com os sites de aposta Aebet e Futbet.

O preço de um jogo entregue ficava entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva anulou 11 partidas do Brasileirão apitadas por Edílson, que tiveram de ser jogadas de novo. A tabela virou de cabeça para baixo e o Corinthians terminou campeão daquele ano. Na Justiça, Edílson, o empresário Nagib Fayad e a CBF foram condenados a pagar R$ 160 milhões por dano moral aos consumidores, além de R$ 20 milhões solidários por dano moral difuso.

O Brasil não inventou a vergonha, só entrou na fila

Na Alemanha, também em 2005, o árbitro Robert Hoyzer foi preso acusado de manipular cinco jogos da Copa da Alemanha, aliciado por uma quadrilha de apostadores.

Na Itália, o Calciopoli explodiu em 2006, a um mês da Copa do Mundo. Escutas telefônicas mostraram que Luciano Moggi, dirigente da Juventus, escolhia os árbitros das partidas do próprio clube e dos concorrentes ao título, e passava orientação sobre o que fazer em campo. 19 partidas do campeonato de 2004/05 entraram na lista de suspeitas. A Serie A perdeu valor, público e credibilidade de uma vez só.

Quem vende um jogo não rouba o clube adversário. Rouba o torcedor que pagou o ingresso para assistir a uma disputa que já estava decidida fora de campo.

Na várzea e na base, o árbitro apita sem câmera, sem VAR e sem plateia. Foto: Ben Wiens/Unsplash (imagem ilustrativa)
Na várzea e na base, o árbitro apita sem câmera, sem VAR e sem plateia. Foto: Ben Wiens/Unsplash (imagem ilustrativa)

O apito que ninguém filma

A imensa maioria dos árbitros nunca vai aparecer em manchete nenhuma. Apita campeonato amador, categoria de base, jogo de bairro e final de várzea, sem VAR, sem câmera e sem segurança, por um valor que muitas vezes não cobre o dia de trabalho perdido. Chega antes de todo mundo, sai depois de todo mundo e volta para casa sem ninguém para defendê-lo.

É por esses que a data existe. Os outros, os que venderam o apito, a história já julgou.

Fontes: CBF; Lei municipal 14.485/2007, de São Paulo; revista Veja (23/09/2005); Superior Tribunal de Justiça Desportiva; Tribunal de Justiça de São Paulo; Gazzetta dello Sport.

Foto: Alfonso Scarpa/Unsplash (imagem ilustrativa)

O que você achou?
Compartilhe: WhatsApp Facebook

💬 Comentários (0)

Leia também

96.5 FM
● AO VIVO Rádio Cultura 96.5 FM