Tia Lu distribui 70 marmitex às terças e quintas no Vila Rica e quer dobrar a meta para 140
Projeto Jantar dos Irmãos alimenta quem tem fome às terças e quintas desde 2017; cada jantar passa de R$ 900 e a obra da cozinha parou por falta de cimento

A viatura da Rádio Cultura parou de novo na Vila Rica nesta quinta-feira (6). Na casa de número 124 da Rua Paulo Modesto mora Tia Lu, e é dali que sai, toda terça e toda quinta desde 2017, o Jantar dos Irmãos: 70 marmitex que atravessam a cidade para chegar a quem está com fome.
O cardápio do dia ela recitou de cabeça, sem consultar papel nenhum: arroz, feijão, batata com carne moída, salada de tomate com vagem, cenoura e suco de abacaxi para acompanhar. A reportagem foi de Frederico Mesquita, com imagens de André Rocha.

70 marmitex hoje, e a meta é 140
A primeira coisa que fica clara na conversa é que ali não se pergunta a quem se dá. Morador de rua, criança, quem estiver passando na hora e precisar comer, come.
A conta, porém, não é pequena. Somando tudo na ponta da caneta, cada jantar sai por mais de R$ 900. É esse número que segura o sonho antigo do projeto, que é sair dos 70 marmitex e chegar a 140 por dia de distribuição.
"Ajuda muito, faz a diferença, porque sozinha Tia Lu é só uma formiguinha", disse ela. "Eu tenho os meus parceiros que me ajudam todos os meses, mas quanto mais ajuda, a gente faz uma coisa melhor ainda, porque esses irmãos merecem."
Mais adiante, ela mesma fechou a ideia: "Sozinha, Tia Lu é só uma formiguinha. Mas se juntarmos todos, nós somos gigantes."
O pedido ao vivo para o Rex Supermercados
No meio da entrevista, sem nada combinado antes, o repórter fez um apelo direto ao Rex Supermercados, parceiro da emissora, propondo uma doação fixa de alimentos todo mês para o Jantar dos Irmãos.
"Me perdoem, estou fazendo isso aqui sem autorização de vocês, mas eu sei que vocês nos ajudam sempre", disse Frederico Mesquita durante a gravação.
Perguntada sobre o que precisaria chegar todo mês, Tia Lu foi objetiva: "Carne, alho, cebola, me ajudaria muito. Toda semana a gente passa aperto com esses itens, marmitex, copinho, colherzinho."
Sobre a quantidade, ela explicou que depende do corte: "Se for carne de osso é mais quilo. Se for carne moída, é de 6 a 7 quilos", em cada dia de distribuição.

As camisas da Corrida Rex
A equipe não chegou de mãos vazias. Levou as camisas novas, ainda ensacadas, que sobraram da 4ª Corrida Rex, numa ação conjunta do Rex Supermercados, da Rádio Cultura, na pessoa do diretor Erlandson Araujo, e da Rocha Eventos. Pela estimativa da reportagem, são mais de 200 peças. As mesmas camisas foram entregues na terça-feira na Vila Vicentina.

A cozinha parou no cimento
A obra da cozinha, que é o que vai permitir produzir mais refeições, está no meio do caminho. "Já está rebocado, e agora está na fase de acabamento", contou Tia Lu. O que falta é material: "Estou precisando de cimento."
Mão de obra também entra na lista. O marido dela trabalha durante a semana e só consegue tocar a obra no sábado. Pedreiro e servente que puderem doar algumas horas ajudam tanto quanto o saco de cimento.
Roupa boa, e só roupa boa
O projeto mantém um brechó para atender as famílias, e segue com a campanha do agasalho. A necessidade agora é de casaco, cobertor, blusa e peças de uso pessoal, tudo em bom estado.
O pedido feito na entrevista foi sem rodeios: doar só o que ainda serve. Peça furada ou imprestável não ajuda ninguém, e o que se entrega ali não é só roupa, é roupa, comida e dignidade.

"Fé sem caridade é fé morta"
Perguntada se há muita gente na cidade em situação de vulnerabilidade, ela disse que sim, e emendou uma reflexão que resume o projeto inteiro.
"Tem pessoas com a estima muito baixa. Precisamos levar o cuidado de Deus, a luz, para tentar resgatar para a vida, porque a sociedade é para todos, não é para um só", afirmou. "Nessa vida só se leva o que se constrói. Fé sem caridade é fé morta."
E completou: "Caixão não tem gaveta. Não adianta ficar só com a bíblia debaixo do braço, ir para a igreja e não fazer caridade."
Tia Lu contou ainda que esteve em Aparecida do Norte, com a Romaria da Fé, onde pediu orações pelo projeto e por quem ajuda. "Todo mundo volta com outra cabeça", disse.
Como ajudar
As doações de alimentos, roupas, agasalhos e material de construção podem ser entregues direto na casa da Tia Lu, na Rua Paulo Modesto, nº 124, no bairro Vila Rica.
Quem preferir contribuir em dinheiro pode fazer um Pix para a chave 35988186447.
E dá para ajudar sem doar nada. O projeto aceita voluntários para lavar panela, cozinhar e montar os marmitex nas terças e nas quintas.