Por que a Praça Dr. Jorge é a Praça do Gammon
O apelido que os lavrenses usam há gerações vem de um missionário americano que desembarcou no Brasil em 1889, e cujo projeto de escola agrícola acabaria virando a UFLA.

Pergunte a um lavrense onde fica a Praça Dr. Jorge e é bem provável que ele hesite um segundo. Pergunte onde fica a Praça do Gammon e ninguém erra. O nome oficial é um, o nome que a cidade usa é outro, e o apelido venceu faz tempo. Agora que a praça começou a ser reformada, vale contar de onde ele vem.
O Gammon do apelido é o Instituto que fica na região, e o Instituto leva o sobrenome de Samuel Rhea Gammon.
Quem foi Samuel Rhea Gammon
Gammon nasceu em 30 de março de 1865, em Bristol, nos Estados Unidos. Missionário presbiteriano e educador, desembarcou no Brasil em 23 de novembro de 1889, poucos dias depois da Proclamação da República.
Ele chegou primeiro a Campinas, no interior paulista, onde funcionava a escola presbiteriana à qual estava ligado. Em 1892 veio a decisão de transferir a instituição para o sul de Minas, e a cidade escolhida foi Lavras, então chamada Lavras do Funil. O motivo foi bem prático: havia a previsão de construção de uma estrada de ferro que ligaria a região ao Rio de Janeiro e a São Paulo.
As atividades do Instituto Evangélico começaram em Lavras no dia 1º de fevereiro de 1893.
Do Instituto nasceu a UFLA
Essa é a parte que costuma surpreender quem não conhece a história. Em 1908, Gammon idealizou e organizou dentro do Instituto uma seção de escola agrícola, com o agrônomo Benjamin Harris Hunnicutt à frente da organização.
Aquela escola cresceu, virou Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) em 1938 e, em 1994, tornou-se universidade. É a Universidade Federal de Lavras, a UFLA, que hoje é um dos maiores patrimônios da cidade.
O lema inscrito no auditório de 1909 seguiu com a instituição e é usado até hoje: "Dedicado à Glória de Deus e ao Progresso Humano".
Samuel Rhea Gammon morreu em 4 de julho de 1928, em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, aos 63 anos. Também era desenhista dos próprios projetos: cerca de dez prédios do campus histórico foram construídos a partir de plantas que ele deixou prontas, depois da sua morte.
E o Dr. Jorge, quem foi?
Essa parte ainda vamos contar. A história da praça rendeu até livro: em agosto de 2025 a Editora UFLA publicou "História da Praça Dr. Jorge, a Praça 'do Gammon' em Lavras", de Iracema Clara Alves Luz e José Matheus de Britto, dentro da coleção Praças da Estrada Real.
A Rádio Cultura de Lavras vai acompanhar as etapas da reforma da praça. Mais informações no Programa Revista da Cidade, na 96.5 FM, de segunda a sexta, das 11h às 14h.