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25 anos do 11 de Setembro: a poeira das Torres Gêmeas já matou mais gente do que os aviões

Vinte e cinco anos depois, o câncer ligado à poeira tóxica de Manhattan já matou 5.892 pessoas, mais do que os 2.977 mortos no dia do atentado

Por André Rocha · 11/09/2026, 12:14
Direção Geral e de Jornalismo: Erlandson Araujo
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▶ 11 de Setembro: Como foi a sequência dos atentados ocorridos há 20 anos · Vídeo: Jornal O Globo · o player só carrega quando você clica

Os atentados de 11 de setembro de 2001 completam 25 anos nesta sexta-feira. Quatro aviões sequestrados, duas torres derrubadas em Nova York, o Pentágono atingido em Washington e um avião caído num campo da Pensilvânia deixaram 2.977 mortos em pouco mais de uma manhã.

O primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8h46. O segundo entrou na Torre Sul às 9h03, ao vivo, diante das câmeras que já estavam apontadas para o prédio. A Torre Sul desabou primeiro, a Norte em seguida. Em menos de duas horas, o complexo inteiro tinha virado pó.

Vinte e cinco anos depois, 40% das vítimas continuam sem nome

O trabalho de identificação nunca terminou. Dos 21,9 mil restos mortais recuperados no local, 14,9 mil foram identificados. 6,9 mil seguem sem nome, e cerca de 40% das vítimas do World Trade Center jamais foram identificadas.

A razão é dura: no ponto de impacto dos aviões a temperatura chegou a 982 °C, e os escombros queimaram por pelo menos três meses, misturando fragmentos de osso a concreto e detritos.

O memorial ocupa exatamente a área das duas torres derrubadas. Foto: Lucas Barletta/Unsplash (imagem ilustrativa)
O memorial ocupa exatamente a área das duas torres derrubadas. Foto: Lucas Barletta/Unsplash (imagem ilustrativa)

A conta que ficou de fora da estatística: a poeira

O número de mortos do 11 de Setembro parou em 2.977 nos livros. Na vida real, ele continuou subindo.

O câncer já matou 5.892 pessoas que respiraram a poeira tóxica que cobriu Manhattan depois da queda das torres. É mais gente do que morreu no dia do atentado.

Até junho de 2026, 57.044 participantes do World Trade Center Health Program haviam sido diagnosticados com câncer, uma alta de 912% em dez anos. O programa chegou a cerca de 154 mil inscritos. Entre os mortos por essas doenças estão mais de 600 bombeiros e mais de 450 policiais de Nova York. Outros 3.679 têm doença pulmonar obstrutiva crônica, e um dos efeitos mais recentes identificados é a demência precoce.

E o pior: disseram que o ar era seguro

Em 8 de setembro de 2026, a Prefeitura de Nova York liberou mais de 170 mil páginas de documentos até então inéditos. Eles mostram que as autoridades sabiam que o ar em volta do Ground Zero era impróprio para respirar, enquanto garantiam publicamente o contrário.

Dois dias depois do atentado, em 13 de setembro de 2001, Christine Todd Whitman, então chefe da agência ambiental americana (EPA), afirmou que as primeiras medições não indicavam risco à saúde. A declaração foi feita antes de qualquer teste de qualidade do ar em ambiente fechado.

O próprio Inspetor-Geral da EPA concluiu depois que aquelas declarações foram falsamente tranquilizadoras, sem base científica e motivadas politicamente. Amianto continuou sendo detectado perto do World Trade Center quase um ano após o desabamento, inclusive numa escola a menos de um quilômetro do local.

Quem correu para o Ground Zero foi tratado como herói no discurso e como descartável no laudo.

O dia que não acabou

As duas colunas de luz que sobem de Manhattan toda noite de 11 de setembro marcam onde as torres estavam. Vinte e cinco anos depois, elas iluminam um número que ainda não fechou: o de mortos que o atentado continua produzindo, um diagnóstico por vez.

Fontes: World Trade Center Health Program; Prefeitura de Nova York; Escritório do Inspetor-Geral da EPA; CNN; CBS News; arquivos do Jornal O Globo.

Foto: Charles Nouwen/Unsplash (imagem ilustrativa)

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