25 anos do 11 de Setembro: a poeira das Torres Gêmeas já matou mais gente do que os aviões
Vinte e cinco anos depois, o câncer ligado à poeira tóxica de Manhattan já matou 5.892 pessoas, mais do que os 2.977 mortos no dia do atentado
Os atentados de 11 de setembro de 2001 completam 25 anos nesta sexta-feira. Quatro aviões sequestrados, duas torres derrubadas em Nova York, o Pentágono atingido em Washington e um avião caído num campo da Pensilvânia deixaram 2.977 mortos em pouco mais de uma manhã.
O primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8h46. O segundo entrou na Torre Sul às 9h03, ao vivo, diante das câmeras que já estavam apontadas para o prédio. A Torre Sul desabou primeiro, a Norte em seguida. Em menos de duas horas, o complexo inteiro tinha virado pó.
Vinte e cinco anos depois, 40% das vítimas continuam sem nome
O trabalho de identificação nunca terminou. Dos 21,9 mil restos mortais recuperados no local, 14,9 mil foram identificados. 6,9 mil seguem sem nome, e cerca de 40% das vítimas do World Trade Center jamais foram identificadas.
A razão é dura: no ponto de impacto dos aviões a temperatura chegou a 982 °C, e os escombros queimaram por pelo menos três meses, misturando fragmentos de osso a concreto e detritos.

A conta que ficou de fora da estatística: a poeira
O número de mortos do 11 de Setembro parou em 2.977 nos livros. Na vida real, ele continuou subindo.
O câncer já matou 5.892 pessoas que respiraram a poeira tóxica que cobriu Manhattan depois da queda das torres. É mais gente do que morreu no dia do atentado.
Até junho de 2026, 57.044 participantes do World Trade Center Health Program haviam sido diagnosticados com câncer, uma alta de 912% em dez anos. O programa chegou a cerca de 154 mil inscritos. Entre os mortos por essas doenças estão mais de 600 bombeiros e mais de 450 policiais de Nova York. Outros 3.679 têm doença pulmonar obstrutiva crônica, e um dos efeitos mais recentes identificados é a demência precoce.
E o pior: disseram que o ar era seguro
Em 8 de setembro de 2026, a Prefeitura de Nova York liberou mais de 170 mil páginas de documentos até então inéditos. Eles mostram que as autoridades sabiam que o ar em volta do Ground Zero era impróprio para respirar, enquanto garantiam publicamente o contrário.
Dois dias depois do atentado, em 13 de setembro de 2001, Christine Todd Whitman, então chefe da agência ambiental americana (EPA), afirmou que as primeiras medições não indicavam risco à saúde. A declaração foi feita antes de qualquer teste de qualidade do ar em ambiente fechado.
O próprio Inspetor-Geral da EPA concluiu depois que aquelas declarações foram falsamente tranquilizadoras, sem base científica e motivadas politicamente. Amianto continuou sendo detectado perto do World Trade Center quase um ano após o desabamento, inclusive numa escola a menos de um quilômetro do local.
Quem correu para o Ground Zero foi tratado como herói no discurso e como descartável no laudo.
O dia que não acabou
As duas colunas de luz que sobem de Manhattan toda noite de 11 de setembro marcam onde as torres estavam. Vinte e cinco anos depois, elas iluminam um número que ainda não fechou: o de mortos que o atentado continua produzindo, um diagnóstico por vez.
Fontes: World Trade Center Health Program; Prefeitura de Nova York; Escritório do Inspetor-Geral da EPA; CNN; CBS News; arquivos do Jornal O Globo.
Foto: Charles Nouwen/Unsplash (imagem ilustrativa)