Em 40 anos, direita sai de um terço para 60% do Senado
Levantamento de todas as eleições desde 1986 mostra o centro dominando a redemocratização, a esquerda crescendo com Lula e Dilma e a virada à direita a partir de 2018
Em 40 anos de democracia, o Congresso Nacional mudou de lado. A direita, que ocupava um terço do Senado na eleição de 1986, chega a 2027 com seis em cada dez cadeiras.
O levantamento acompanha todas as eleições desde 1986 e separa os parlamentares em três blocos: esquerda, centro e direita.
O centro mandava na redemocratização
Na eleição de 1986, que escolheu os constituintes, o centro era dono do Congresso. Tinha 61% do Senado e 53% da Câmara dos Deputados, puxado pelo PMDB do então presidente José Sarney. A esquerda era pequena: 6% do Senado e 10% da Câmara.
A esquerda cresceu com Lula e Dilma
A esquerda ganhou espaço a partir de 2002, ano da primeira vitória de Lula. Chegou a 33% da Câmara naquele ano e a 36% em 2006 e 2010. No Senado, bateu 33% em 2014, na reeleição de Dilma Rousseff.
A virada de 2018
A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, marcou a virada na Câmara: a direita saltou para 47% das cadeiras, e a esquerda caiu para 27%. Em 2022, mesmo com a volta de Lula ao Planalto, a direita continuou crescendo no Congresso.
O retrato de 2027
Com a apuração de 2026, já totalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, a direita terá 60% do Senado, ou 49 das 81 cadeiras, e 51% da Câmara, com 260 dos 513 deputados. O centro fica com 21% do Senado e 25% da Câmara. A esquerda, com 19% e 24%.
Em quatro décadas, a direita no Senado foi de 33% para 60%. Na Câmara, de 37% para 51%.
A Presidência da República ainda será decidida no segundo turno, em 25 de outubro.
Como o levantamento foi feito
A série de 1986 a 2022 usa a classificação editorial do analista Fabrizio Conrado, com base em dados da Câmara, do Senado e da União Interparlamentar. Os números de 2027 são da apuração da Rádio Cultura, com dados do TSE e do Senado Federal. Como cada levantamento agrupa os partidos com critérios próprios, a comparação mostra a tendência das quatro décadas, e não diferenças de um ou dois pontos.
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